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“Houve fraude processual”, diz delegado sobre roubo que terminou com refém morto em Senador Canedo

Foto: Thalys Alcântara

O delegado Matheus Noleto, titular do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, afirma que houve fraude processual por parte dos policiais militares envolvidos na abordagem que resultou na morte do auxiliar de produção Tiago Messias Ribeiro em Senador Canedo, no sábado (25). A vítima de 31 anos estava como refém dentro do próprio carro quando foi atingida por um tiro.

Novas imagens mostram um policial entrando no carro e atirando várias vezes de dentro para fora enquanto outros policiais retiram Tiago do veículo e o colocam em uma viatura.

“Aquelas imagens indicam que houve uma alteração do local. Eles (policiais) afirmam que houve resistência seguida de morte. Se houve troca de tiros ou não, isso será demonstrado pelas investigações”, explica o delegado que é responsável pelo inquérito. A pena para esse tipo de crime, que é quando se tenta induzir a erro o juiz ou perito, pode variar de três meses a dois anos de detenção e multa.

As imagens também mostram um PM aparentemente manueseando no corpo do assaltante, que já estava morto, mas segundo Noleto, isso só será confirmado após perícia.

Uma câmera de monitoramento da prefeitura, que é giratória, flagrou a fraude. No entanto, no momento do tiroteio ela não estava virada para o local do crime. De acordo com Noleto, agora a investigação é para confirmar se houve o confronto e legítima defesa ou dois homicídios.

Em contrapartida, a câmera de uma unidade do posto de gasolina Xodó será fundamental para comprovar a versão dos PMs, pois ela está fixada na direção do local que aconteceu a abordagem. O delegado já esteve pessoalmente no posto solicitando as imagens, mas ainda não obteve sucesso. Ele chegou a ir pessoalmente na matriz do posto na manhã desta terça-feira (28) e entregou um ofício requerendo acesso às gravações. A reportagem tenta contato com a administração do posto.

Noleto conta que uma perícia foi realizada no local no dia do tiroteio, mas como estava chovendo e escuro, o trabalho foi prejudicado. Uma nova perícia será realizada pela Polícia Técnico-Científica de Goiás nos veículos. O carro onde a vítima foi baleada está guardado no pátio do núcleo da Polícia Técnico-Científica em Aparecida de Goiânia.

A reportagem tenta uma resposta junto a Polícia Militar de Goiás (PM-GO), mas até a publicação desta não conseguiu contato. Em entrevista para a TV Record, que foi apresentada para a reportagem como resposta a um questionamento feito via assessoria de imprensa, o comandante geral da PM-GO, coronel Divino Alves,disse entender que houve erro na ação policial, mas não dolo.

Fonte: Opopular / Por: Thalys Alcântara