COAF – SIGA O DINHEIRO!

“Follow the Money – Siga o dinheiro”. Em breve relato, esse termo surgiu em função do caso Watergate, que resultou na renúncia do ex-presidente dos EUA Richard Nixon (1969 – 1974).


Edemundo Dias de Oliveira Filho – Delegado de Polícia (Aposentado)

“Follow the Money – Siga o dinheiro”. Em breve relato, esse termo surgiu em função do caso Watergate, que resultou na renúncia do ex-presidente dos EUA Richard Nixon (1969 – 1974). Expressão atribuída à principal fonte anônima dos jornalistas investigativos Bernstein e Woodward, do jornal Washington Post, informante que depois se revelou: era o próprio dirigente do FBI Mark Felt, alcunhado de Deep Throat – “Garganta Profunda”. A citação também surge numa das principais cenas do filme “Todos os Homens do Presidente”, bem ao estilo hollywoodiano, nas sombras de uma garagem.

A paradigmática “Operação Mãos Limpas” (Mani Puliti), na Itália, na década de 1990, coordenada pelo procurador Antonio di Pietro (que, aliás, iniciou sua carreia na polícia), só conseguiu êxito, apesar dos diversos percalços, ao seguir o dinheiro — segui i soldi, em italiano. Essa é a principal chave em qualquer investigação que queira alcançar o real desiderato das Organizações Criminosas, a lavagem de dinheiro.

Na Itália, a propósito, há a Guardia di Finanza — Guarda de Finanças —, especializada em apuração de crimes financeiros, que mesmo vinculada ao Ministério da Economia, tem atribuições de polícia judiciária, e atua em articulação com as outras forças de segurança pública, em especial, a Arma dei Carabinieri — Os Carabineiros, e a Polizia di Stato — Polícia de Estado, onde tive a honra de estudar sobre Crime Organizado, em 1997, para aqui poder falar de cátedra sobre o assunto.

Temos acompanhado toda essa rumorosa discussão no Brasil sobre o COAF — Conselho de Controle de Atividades Financeiras, e a nossa conclusão é: seria melhor que a sede do referido órgão seja mesmo no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Mas, isto não é o mais importante. O imprescindível é que seja bem estruturado e funcione integradamente com órgãos de investigação, em especial, com a Polícia Federal. Esse, sim, é o grande medo dos poderosos corruptos e corruptores brasileiros.

EDEMUNDO DIAS DE OLIVEIRA FILHO
Delegado de Polícia (Aposentado).
Ex-delegado geral da Polícia Civil e ex- Secretário de Estado de Justiça de Goiás