Roubos e furtos de veículos em Goiânia crescem 31% em relação a 2010

Delegado da DERFRVA, Alzemiro José afirma que 70% dos carros são destinados à clonagem

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Reportagen: Vinícius Braga
Uma média de 12 a 15 veículos são roubados ou furtados por dia em Goiânia. O aumento em relação ao mesmo período do ano passado é de 25% em casos de roubos e 16% de furtos. Levando em consideração furtos e roubos, o aumento é de 31,06%. Os dados são da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DERFRVA). Até o dia 28 deste mês, a DERFRVA registrou um total de 628 casos de roubos e 542 casos de furtos, equivalente a um total de 1.170 veículos. O roubo consiste no ato de subtrair algo mediante grave ameaça ou violência. Já no furto não há emprego de violência.
Até 2007, o número de veículos furtados superava o número de roubados. Nos últimos anos, houve uma inversão desta realidade, já que atualmente os casos de roubos sobressaem aos de furtos. Analista criminal da Polícia Civil, Wemerson Teixeira explica esta mudança. “As montadoras de veículos passaram a projetar um esquema de segurança que dificulta a ação do furto. Consequentemente, os bandidos mudaram a forma de atuação e passaram a ter um contato direto com a vítima, empregando a violência.” Wemerson ainda traça o perfil dos ladrões, bastante comum nas ocorrências. “Na maioria dos casos, são menores ou jovens de 18 a 20 anos de idade, comandados por um superior. Eles não têm noção de perigo, agem de forma inconsequente e por isso atiram com facilidade.”
Neste ano, a DERFRVA realizou até o momento 182 prisões por furtos e roubos de veículos, entre flagrantes e decorrentes de investigações. O delegado Alzemiro José informa que em janeiro e em fevereiro deste ano as médias de recuperação de veículos foram de 70%. Em março, a média tem sido mantida. No ano passado, dos 4.288 veículos roubados e furtados, a média de recuperação foi de 58%. “A orientação é não reagir neste tipo de crime. Além disso, procure colocar os veículos em locais seguros”, recomenda o delegado.

Estatísticas
Na Capital, o Setor Bueno é o que mais registra roubos de veículos neste ano, com 45 casos, seguido por Leste Universitário, com 29, e Oeste, com 28. Em relação aos furtos, o Centro é o setor que mais atrai esta prática,  com 50 casos registrados. Jardim Goiás aparece em seguida, com 41, e em terceiro, Cidade Jardim e Bueno, ambos com 24. Confira na tabela a relação dos setores que mais registram roubos/furtos de veículos. O veículo mais roubado neste ano na Capital até agora é o Gol, com 74 registros, seguido por Fiat Strada (57) e Honda CG 150 Titan (50). Nos casos de furto, o Gol também lidera com 124 registros. Em segundo está Fiat Uno (54) e em terceiro Honda CG 125 Titan (34).
O delegado-titular da DERFRVA, Alzemiro José dos Santos, re-vela que os casos envolvendo  motos vêm crescendo e relaciona este aumento com o uso de drogas. “Em muitos casos, os atos estão diretamente envolvidos com o consumo de crack”, afirmou.

Três jovens presos suspeitos de integrar quadrilha
Wanderson Ferreira da Silva, 18, Rafael Cândido Rosa, 19, e um menor de 17 anos foram presos na manhã de ontem em Senador Canedo, suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubo de carros. Ao todo, eles roubaram cinco veículos somente no período da manhã.
Wanderson roubou uma Hilux adaptada para um cadeirante. Ele teve dificuldades de dirigi-la e a abandonou. Após roubar um Palio, foi baleado por um policial à paisana e fugiu. Em seguida, roubou uma moto e dirigiu-se a um Cais de Senador Canedo para receber atendimento médico. A Polícia Militar foi acionada por funcionários da unidade de saúde. Os policiais suspeitaram que o jovem estaria envolvido nos roubos, já que não registrou nenhuma ocorrência.
Enquanto isso, Rafael e o menor roubaram uma Saveiro e uma S-10. Ambos foram detidos pela PM, confessaram os crimes e confirmaram que Wanderson também integrava a quadrilha. Junto a eles, foi encontrado um revólver calibre 38. “São violentos, mal-educados e destemidos”, revela o cadeirante proprietário da Hilux.
Os jovens foram encaminhados à DERFRVA e revelaram que ainda há um integrante da quadrilha que está foragido. Seria Cássio, o cabeça do grupo, responsável por ordenar os roubos.

Destinados à clonagem
O delegado titular da DERFRVA, Alzemiro José, ainda pontua que cerca de 70% dos carros roubados ou furtados não recuperados são destinados à clonagem. Nesta prática, os veículos usam placa, chassi e documentos copiados de outro carro, com características semelhantes. Nem sempre os criminosos que fazem a clonagem são os responsáveis pelo furto ou roubo do automóvel.
A clonagem é um complexo esquema que envolve vários membros de uma quadrilha, quer seja despachante ou alguém relacionado ao próprio Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Este último, com acesso privilegiado a informações de dentro do departamento de trânsito, consegue a numeração de outro veículo que, se assemelha ao roubados, geralmente dando preferência aos financiados.
Para circularem com os veículos clonados, as quadrilhas também adquirem um certificado de registro ou licenciamento, isto é, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Estes formulários são subtraídos por meio de furtos em Cidetrans de cidades espalhadas pelo interior do Estado. Há também quadrilhas especializadas que fazem uso de impressoras compatíveis às utilizadas pelo Detran. Eles imprimem os certificados com dados do veículo quente, contendo até mesmo a assinatura falsa do diretor do Detran.
A partir daí, o automóvel pode circular sem chamar a atenção da polícia e ainda ser  colocado no mercado como um produto “finan”. Os “finans” consistem em veículos de preços inferiores, os quais são adquiridos em financiamentos por compradores que não pretendem pagar as prestações. Os carros novos e populares são os mais usados neste tipo crime. Um Gol 2011 clonado, por exemplo, pode custar de R$ 7 mil a R$ 10 mil. No mercado legal, este mesmo veículo custaria cerca de R$ 30 mil.
Estes carros são destinados principalmente ao interior e a outros Estados, como Mato Grosso. O responsável pela venda de carros dublês pode pegar pena de três a seis anos de prisão por adulteração do veículo. Aquele que compra, pode responder crime por recepção e pegar de um a quatro anos de reclusão.
Na maioria das vezes, a vítima das quadrilhas só descobre que seu veículo foi clonado depois de receber alguma notificação, como multas. Por isso, é recomendado sempre consultar o histórico do carro por meio de despachantes ou do próprio Detran. Além disso, caso queira vender seu automóvel pela internet, não divulgue a placa. “Desarticular o trabalho de quadrilhas especializadas em clonar carros é um trabalho difícil. Contudo, é uma questão seríssima, que precisa ser combatido pelo Serviço de Segurança Pública”, afirma o delegado Alzemiro.
Em menor escala, outro destino dos veículos roubados ou furtados é a venda de peças para desmanche e estabelecimentos legalizados, que vendem produtos sem procedência conhecida. Os carros mais velhos e desgastados são o principal alvo desta prática. “Geralmente as pessoas vão ao ferro velho e não pedem nota fiscal da mercadoria que compram. Esta mercadoria pode ter vindo de um veículo roubado, o que alimenta o crime”, explica o analista criminal.

Confira
Polícia divulga principais setores e modelos de veículos roubados e furtados na Capital

Setores com mais ocorrências de furtos de veículos:
1 º Centro : 50
2 º Jardim Goiás: 41
3 º Cidade Jardim e Bueno: 24
4 º Jardim América: 21
5 º Oeste e Leste Universitário: 18

Setores com mais ocorrências de roubos de veículos:
1 º Bueno : 45
2 º Leste Universitário: 29
3 º Oeste: 28
4 º Jardim América: 27
5 º Sudoeste: 22

Veículos mais furtados:
1 º Gol: 124
2 º Fiat Uno: 54
3 º Honda CG 125 Titan: 34
4 º Honda Biz 100: 33
5 º Honda CBX 200 Strada:

Veículos mais roubados:
1 º Gol: 74
2 º Fiat Strada: 57
3 º Honda CG 150 Titan: 50
4 º Corolla: 39
5 º Honda CG 150 e Saveiro: 23

Fonte: Jornal Diário da Manhã