Reportagem: Angélica Queiroz
Leilões promovidos por seguradoras de veículos estão abrindo portas para ação de quadrilhas e venda de peças sem nota fiscal. A constatação é da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), que investiga esses tipos de crime desde outubro de 2011. De acordo com o adjunto da especializada, Glaydson Carvalho, os crimes aumentaram em Goiás pela falta de fiscalização e por brechas na lei, que atraem os bandidos.
De acordo com Galydson, as seguradoras têm trazido veículos de outros Estados para leiloar aqui. “Já vi carro de Mato Grosso, Tocantins e até de São Paulo.” Glaydson afirma que isso acontece porque muitos desses Estados já fecharam as portas para esse tipo de ação criminosa. Em Goiás também é possível vender mais veículos e por preços maiores, uma ótima opção para seguradoras e também para bandidos que conseguem agir aqui com tranquilidade. Esse mercado aquecido faz com que o número de carros batidos que chegam aqui cresça diariamente. Um único leilão na capital chega a ofertar 200 veículos por semana.
Alguns veículos adquiridos nos leilões são usados para a prática de dois tipos de crimes, de acordo com a investigação da DERFRVA. Um deles é normalmente praticado por donos de lojas de ferros-velhos. Eles compram as sucatas em leilões com notas fiscais “genéricas”. As peças são revendidas sem numeração identificada e a mesma nota fiscal é utilizada para justificar outras peças, geralmente roubadas.
Para conter esse tipo de crime, Glaydson acredita que falta legislação mais rígida que regulamente a venda de veículos de leilão para ferros-velhos. Opção, segundo ele, seria deixar o carro inteiro e só dar baixa do chassi depois que todas as peças fossem vendidas, como veículo desmontado aos poucos. “Assim poderíamos ter a nota fiscal de cada peça.” No entanto, ele admite que tal medida exigiria que todos os ferros-velhos tivessem grandes galpões para guardar os carros montados e que os comerciantes não apoiariam a idesia.
Fonte: Jornal O Hoje